Capítulo 2, Meu livro

2 Conflitos no Paraíso

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.” (Isaac Newton) (39)

Deus dá então a eles a apropriação do jardim, dizendo que cuidassem daquele lugar, pois ali seria o habitat deles.  Poderiam usufruir tudo, comer de tudo, menos do fruto da árvore da ciência do bem e do mal que estava no centro daquele jardim (1: Gn. 2:16-17).

Aquela foi a única recomendação e/ou atitude “proibida” pelo Deus Criador; caso comessem daquele fruto, perderiam a oportunidade de continuarem com vida, ou seja, morreriam; mas, até aquele momento eles conheciam apenas o que era viver; e “morrer”?… o que seria morrer?….

Sendo detentor do pleno conhecimento que é peculiar à Sua natureza (Onisciente, Onipresente e Onipotente), dentro do meu contexto profissional, posso imaginar Deus, como um bibliotecário, e de que também é detentor de uma Biblioteca em sua plenitude (toda a Sabedoria e Conhecimento do Universo), a intermediar e passar informações para Adão e Eva, os primeiros seres humanos que criara, segundo o interesse que eles Lhe fossem demonstrando, quanto a adquirir conhecimentos, cada vez mais e mais.

Você já teve sede de saber?..

Conforme Adão e Eva iam recebendo e assimilando novos conhecimentos, novas necessidades de descobertas mais complexas iam surgindo.  Deus ia satisfazendo a cada uma delas, deixando que o interesse por novas informações, fosse surgindo de forma espontânea.

Assim, o interesse em aprender mais e mais, aumentava a cada nova descoberta. A Bíblia não deixa claro e também a ciência ainda não pôde precisar quanto tempo se passou, porém, eles foram percebendo a amplitude do Conhecimento e Sabedoria que o Deus Criador possuía; então começaram a desejar esse pleno conhecimento para si.

“O sábio como Astrônomo: – Enquanto você sentir as estrelas  como ‘algo acima’, falta-lhe ainda o olhar do conhecimento.” (Blick des Erkennenden) (6)

Como Deus já havia transmitido muita informação sobre como cuidar da saúde (medicina, biologia e nutrição), lavrar a terra (geologia e agricultura), cuidar daquele jardim (botânica e ecologia), e cuidar e domesticar os animais que com eles viviam (pecuária, medicina veterinária, zoologia, zootecnia), começaram a analisar sobre quais seriam as conseqüências, caso resolvessem comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal e acabassem sendo expulsos daquele lugar.

A curiosidade mata!

Ali compartilhavam de uma felicidade e harmonia indescritíveis, mas concluíram que pelo conhecimento que já possuíam, por si só, provavelmente poderiam cultivar um outro jardim como aquele, fora daquele local.  Mas, será que “fora” daquele local, haveria um “outro” local?!!…

Tudo que suas mentes conseguiam imaginar era passível de investigações mais aprofundadas; até então, fora daquele jardim, somente Deus sabia se a terra existente poderia ser cultivada ou não (81), visto que fora o próprio Deus que havia plantado aquele Jardim no Éden (Gn. 2:8-9).  Para questioná-lo a respeito desse assunto, refletiram que, provavelmente, Ele exigiria explicações do “porquê” de tanta curiosidade.  (1: Dt. 29:29)

Ao invés de perguntarem para o Deus Criador, que vinha diariamente conversar com eles (1: Gn. 3:8), começaram a buscar explicações dentro da lógica que eles mesmos conheciam até aquele momento. Começaram a vivenciar o sentimento da curiosidade, que os levava a questionar, se valeria à pena ou não, continuar a cultivar confiança e obediência ao Deus Criador.

Analisando esta situação vivenciada por Eva, Cynthia Heald faz uma pergunta: “será que Deus é suficientemente bom?”. Em seu comentário a escritora diz que, seria bem provável que Eva pensasse da seguinte maneira: “se Deus é realmente bom, não esconderia de nós, nada que nos fizesse sábios e que pudesse ser bom para nossas vidas”; e o adversário sussurrava em seus ouvidos: “veja!, o que você quer é bom; por quê você  não vai em frente e faz a coisa acontecer?”  A escritora complementa: “Pareceu bom a Eva comer da fruta, mas não era o melhor.”  (42)

Você já sabe o que é “morrer”?

Agora que Adão e Eva já sabiam o que era viver, começaram a entender o que seria o “morrer”; provavelmente o ato de “morrer” seria uma contraposição ao de “viver”, ou seja, perder o direito e a oportunidade de usufruir tudo aquilo que estavam desfrutando até então; e quanto a conversar diariamente com Seu Criador?….. Será que Ele os abandonaria?!!!…

Caso se aventurassem a experimentar daquele fruto, o que seria esse “não viver??!….”  A curiosidade se contrapunha à obediência e vice-versa. Através do raciocínio buscaram explicações para o inexplicável.

Como seria viver fora daquele lugar?!!!… Será que continuariam contando com a presença real do Deus Criador?!!!…   Será que morrer seria somente perder o direito de viver naquele jardim, ou teria mais algum porém, que eles ainda não tinham consciência?!!!…

Perceberam que a curiosidade os matava lentamente, com golpes lancinantes. Era como uma força avassaladora que os corroia internamente, a ponto de compreenderem que o pleno conhecimento significava poder e autoridade.

“Quem sabe dominar seus pensamentos, sabe governar sua vida.”  (R.. W. Trine)  (39)

Concluíram que se viessem a morrer, ou seriam expulsos daquele lugar, e para isso eles já tinham conhecimentos suficientes para sua sobrevivência, ou então perderiam a consciência da vida, e passariam a ficar inertes numa condição de total inconsciência da realidade.  Eis a pergunta crucial: “comer, ou não comer?!!!…”

Comer ou não comer do fruto…

Todos os dias, como era Seu costume, Deus vinha conversar com eles na viração do dia!!!… Não sei se quando o dia virava noite, ou quando a noite virava dia!!!…. (ou talvez nos dois momentos)  (1: Gn. 3:8). O que sei é que, nos momentos pós-aprendizado com Deus, o adversário, através da serpente (1: Gn. 3:1-5; Mt. 10:16), que era um dos animais mais astutos e prudentes dentre os que Deus criara, vinha, sutilmente, desfazer as palavras que o Deus Criador lhes havia falado.

Em meio aos conflitos que povoavam suas mentes, o adversário (40), aproveitou um momento em que a mulher estava só, e começou a tentá-la, deturpando todas as palavras e mandamentos que Deus lhes havia ordenado. (1: Gn. 3:1-5)

Não sabemos quanto tempo durou esse processo de convite ao mal, mas um dia aquelas palavras ardilosas e cheias de artimanhas proferidas pelo adversário através da serpente, dominaram o coração de Eva; ela cedeu à idéia de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal (1: Gn. 3:6), convidando também a Adão, para que compartilhasse com ela daquele alimento.

A Bíblia de Estudo Esperança explica com muita clareza, como funciona esse processo de convite ao mal. (59: Gn. 3:1-7, p. 5):  Naquele momento houve uma distorção da Palavra de Deus pela serpente (v.1); Eva aceita dialogar com a serpente (v.2) e repete a Palavra de Deus com uma alteração (v.3); a serpente afirma que Deus mentiu (v.4); a serpente sugere que Deus exige obediência porque deseja o nosso mal e porque é egoísta (v.5); o encantamento dos sentidos toma o lugar da Palavra divina (v.6); cair na tentação  é acompanhado de propagação do mal, pois Eva convida Adão a compartilhar do mal (v.6); cair na tentação leva à auto-suficiência, pois depois de pecar, o primeiro casal não se volta para Deus, mas procura resolver o problema sozinho (v.7).

Agora que você já comeu do fruto…

Assim que comeram daquele fruto, seus olhos foram abertos e conscientizaram-se de que estavam nus.  Diante daquela situação constrangedora entenderam que seria mais sensato, fazerem para si, aventais de folhas de figueira, de forma que não mais se envergonhassem, devido ao fato de estarem nus (1: Gn. 3:7).

O fato de conscientizarem-se de que estavam nus, não nos dá qualquer sinal de que o ato sexual fosse visto como algo mal, ou proibido; antes daquela situação de desobediência ao mandamento divino, Deus já havia ordenado àquele primeiro casal: ‘sede fecundos e multiplicai-vos’ (59: Gn. 1:28). A sexualidade foi criada por Deus e, portanto é uma bênção (59).

Eva foi seduzida em primeiro lugar, porém, entendemos que o fato dela oferecer do fruto ao seu marido, é porque é natural e peculiar à mulher o servir a seu esposo.  Principalmente quando a mulher tem ao seu lado, alguém que a faz sentir-se como uma rainha, ela o serve com muito prazer.  Foi para isso que o Deus Criador fez uma companheira para Adão: uma semelhante sua, uma adjutora, que pudesse estar sempre diante dele (1: Gn. 2:18).

Onde estás?… (1: Gn. 3:9)

Chegada a subseqüente viração do dia, Deus veio novamente visitá-los; ao vê-los cobertos com aquelas folhas, compreendeu que já eram conhecedores do bem e do mal, e que, com certeza, haviam comido do fruto proibido.

Lamentavelmente, mas para o bem daquele casal, Deus prescreveu-lhes a sentença de morte, de dor e de trabalhos forçados (1: Gn. 3:16-19). Com sua serena autoridade, envolvida numa áurea de amor divinal, que Lhe é peculiar, o Deus Criador convidou-os a que se retirassem daquele jardim, para preservá-los de caírem na tentação de comer também do fruto da árvore da vida e passassem então, a viver eternamente no pecado.

O adversário, através da serpente, foi sutil em oferecer primeiramente do fruto da árvore da ciência do bem e do mal.  Seu intuito era instigá-los posteriormente a comer também do fruto da árvore da vida e assim destruir totalmente o intento do Deus Todo Poderoso; se isso tivesse acontecido, a humanidade escravizada pelo pecado da desobediência, estaria subjugada ao seu domínio e à sua disposição por toda a eternidade.

Você já entendeu o que Deus fez?

Como o plano de Deus era criar um reino para Seu Filho Jesus Cristo (1: Cl. 1:13), o adversário, através da serpente, intentou arrebanhar para si, o homem e todos os seus descendentes, fazendo assim, contraposição ao governo divino com os próprios seres criados por Ele.

Deus, em sua infinita sabedoria, conhecendo o intento do adversário, tomou essa atitude radical para com o ser humano que criara, para que ele pudesse ser redimido; ou seja, ter seus corpos mortais, transformados em corpos espirituais, antes de receberem a vida eterna (85: I Ts. 4:13-17; I Co. 15:35-54; I Tm. 6: 12 e 20).

Assim, com o corpo transformado num corpo glorioso e sem pecado, lhe daria a comer do fruto da Árvore da Vida (1: Ap. 2:7b); dessa forma poderiam ter vida eterna, aniquilando para sempre, a possibilidade do  ser humano pecar novamente.

Segundo as orientações que O Deus Todo Poderoso nos deixou através da Bíblia Sagrada, o corpo carnal que temos agora, é passível de pecar, mas o corpo glorioso que receberemos, será infalível e eterno (85: I Co. 15:44-54).

“É sábio olhar para trás, pois é avaliando a tortuosidade de nossas pegadas, que poderemos garantir um caminho reto. (Antonio Vieira, Padre Jesuíta) (39)

As palavras devem esperar

Não fale comigo agora; a ferida ainda está aberta, a dor é terrível, e eu não consigo esquecer; amortece um pouco e, como uma onda, volta a atormentar-me. Compreendo suas lágrimas, mas o sofrimento é árduo; ele não ouve as palavras que você, carinhosamente, planejou e tentou dizer. Mas… Ore!!!…  (Ruth Bell Graham)  (18)

 

Continue lendo o capítulo 3: Enfrentando Novos Desafios

 

Sonia Valerio da Costa

17/11/2009

2 Comments

    1. Sonia Costa

      Olá Maria Aparecida,
      Agradeço sua visita ao meu Blog e principalmente pelo fato da leitura estar sendo agradável a você.
      Fique tranquila, que até o final desta semana, já terei liberado todos os capítulos.
      Aguarde!
      Sonia

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