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O Filme “A Bússola de Ouro” apresenta apenas a primeira parte da Saga, que foi escrita em três livros. É um filme de muita aventura, mistério, ficção e momentos de suspense que prendem a atenção. Lyra, uma criança corajosa e de muita ousadia, se vê envolvida como personagem principal, para desvendar o misterioso desaparecimento de  crianças.

Lord Asriel seu benfeitor, a protege colocando-a sob a inteira responsabilidade e vigilância do Reitor da Faculdade; em seguida parte para o Polo Norte, na terra dos ursos polares, com o objetivo de provar que sua teoria científica, é verdadeira.

Assim que ele viaja, o Magistério da Faculdade promove uma segunda expedição, liderada pela Sra. Coulter, que com palavras mansas consegue enganar Lyra, dizendo que, mesmo ela sendo uma criança, inspirava tanta confiança, que a participação dela nessa segunda expedição, seria de extrema importância para ambas.

Antes de partir o Reitor da Faculdade entrega ocultamente a Bússola de Ouro nas mãos de Lyra, deixando-a bastante prevenida e orientada para que ninguém soubesse que ela estava de posse daquele objeto, principalmente a Sra. Coulter. Através daquela bússola, que Lyra logo aprende como manejar,  ela vai recebendo direção para onde ir, o que deve fazer e como proceder diante das novas situações que vai vivenciando.

O filme foi muito bem elaborado, é encantador e vale a pena ser assistido. Com ele aprendi diversas lições de vida e aguardo ansiosa a produção cinematográfica dos outros dois livros: “A Faca Sutil” e “A Luneta Âmbar”. 

Fatos do enredo do filme que desejo comentar:

No universo onde a história se desenvolve, todas as pessoas têm o seu “dimon”, que é uma manifestação externa de sua própria alma, em forma de animal, cada um com uma personalidade distinta. Lord Asriel levanta a teoria de que nossa alma vem do espaço, em forma de poeira cósmica, passa pelo “dimon” e em seguida vai entrando na pessoa que o possui, formando sua personalidade, até que ela se torna adulta. O Magistério se opõe a essa teoria fantasiosa,  principalmente porque, se essa nova teoria fosse provada como verdade, abalaria todas as tradições e crenças sustentadas até então, comprometetendo séculos de ensino mantido pelas autoridades eclesiásticas e catedráticas.

Em determinada cena, antes de conseguirem desvincular Lyra de seu “dímon”, a Sra. Coulter esclarece Lyra de forma bastante convincente, que o objetivo do Magistério em separar as crianças de seus respectivos “dímons”, seria para que elas não tivessem mais o livre-arbítrio e pudessem ser totalmente controladas pelo magistério, cujo objetivo não era apenas dominar este mundo, mas também todos os outros mundos e universos paralelos existentes. Essa cena é bastante esclarecedora quanto ao que o “dímon” está representando; o “dímon” não é nada mais nada menos do que o livre-arbítrio e não uma extensão da alma da pessoa como afirmam alguns comentaristas. Creio que o livre-arbítrio foi representado dessa forma, para ficar mais transparente que existe sim, a possibilidade de roubarem nosso livre-arbítrio.

O que é o livre-arbítrio? Segundo Claudionor Corrêa de Andrade, em seu “Dicionário Teológico”, ele define que “live-arbítrio” [Do Latim “liberum arbitrium”] é o instinto que nos faculta escolher entre o bem e o mal. Do uso que fazemos deste instrumento, prestaremos contas ao Supremo Juiz no último dia. Sem o livre arbítrio, o homem jamais poderia firmar-se como criatura racional e moralmente livre”.

Em minha opinião, o Magistrado está representando o Mal, que é o próprio Satanás que, por ter sido o primeiro a desobedecer os mandamentos divinos, foi lançado fora da presença de Deus; inconformado com tudo o que perdeu, ele quer roubar nosso livre-arbítrio (dado por Deus), e nos fazer escravos dele (Satanás). Dessa forma ele nos usaria como “laranjas” para afrontar ao Deus Criador. Propositadamente estou utilizando esse termo bastante coloquial e conhecido em nossa sociedade, para deixar claro, que não levaremos vantagem nenhuma em sermos escravos de ninguém, muito menos de Satanás.

O livre-arbítrio consiste na liberdade que Deus nos dá em deixarmos de adorá-lo e de obedecê-lo, nos afastando totalmente dEle e nos submetermos a aceitar servir outros deuses, inclusive Satanás, sendo que nenhum outro deus possui os atributos da Onipotência, Onipresença e Onisciência, pois até o próprio Satanás foi criado por Deus. Deus nos deu inteligência e capacidade suficiente,  para em nosso são juízo, escolhermos permanecer nEle (Deus Criador).

A criatividade proposta no enredo é bastante polêmica, porém passível de discussão teológica, pois os primeiros seis dias ou períodos da criação, são registrados na Bíblia de uma forma  tão resumida, que possibilita a criação de diversas fantasias a respeito do que verdadeiramente aconteceu nesse “princípio”. Minha pretensão não é fazer apologia ao filme, mas despertar uma certa dose de curiosidade na busca do conhecimento.

Sabemos que os cientistas trabalham em cima de teorias que somente se tornam leis depois que forem comprovadas de todas as formas. O que sabemos através da Bíblia, é que nesse “princípio” os animais, que foram criados antes de Adão, viviam em harmonia com os seres humanos, tanto, que até conversavam com eles; como foi o caso da serpente que, usada por Satanás, propôs a Eva que comesse do fruto da árvore do Bem e do Mal.

Neste ponto crítico, quero levar o leitor a refletir, que se os animais não tivessem o costume de conversar com Adão e Eva, quando a serpente se aproximou de Eva e começou a conversar com ela, no mínimo Eva se assustaria e acabaria compartilhando com Adão aquele fato, caso ele tivesse sido inédito. É assustador raciocinarmos dessa forma, mas penso que é apenas uma questão de lógica.

A partir dessa atitude de desobediencia de comer do fruto proibido, foi havendo um distanciamento entre a comunicação do homem com os animais. Vale lembrar que Deus utilizou peles de animais para fazer vestimentas e cobrir a nudez de Adão e Eva que, agora conscientes do porque das diferenças físicas de ambos, se envergonhavam um do outro.

Adão e Eva foram convidados pelo próprio Deus a que se retirassem do Jardim do Eden, para não cairem na tentação de comer do fruto da Árvore da Vida e assim, viverem eternamente no pecado da desobediência.

Depois do dilúvio Deus orienta o ser humano a comer também, a carne dos animais, alem das frutas e vegetais produzidos pela terra lavrada, que era o seu alimento até então. Com essas considerações, é perfeitamente compreensível que em determinado momento da história, aconteceu uma ruptura de comunicação entre homens e animais.

Além do episódio acontecido no Jardim do Éden, o único registro bíblico de um animal conversando com o homem, foi quando Balaão estava desobedecendo a Deus e aceitando suborno para amaldiçoar o exército de Israel. Leia a seguir:

“Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? e Balaão disse à jumenta (com a maior naturalidade): Porque zombaste de mim: oxalá tivera eu uma espada na mão, porque agora te mataria. E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo? E ele respondeu: não. Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho, e a sua espada desembainhada na mão: pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face. Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim: Porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de mim; se ela se não desviara de diante de mim, na verdade que eu agora te tivera matado, e a ela deixado com vida.” (Bíblia ARA, Nm. 22:28-33)

Como disse no princípio que os seis dias da criação foram relatados de forma tão reduzida que proporciona a existência de pensamentos fantasiosos. Na verdade, esse meu comentário é apenas para contextualizar a existência do assunto mais polêmico que existe, e que o ser humano tem dificuldades de aceitar, que é o livre-arbítrio.

Recomendo a todos para que assistam este filme e também meditem nestes textos bíblicos a seguir:

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (Biblia, trad. ARC, I Tm. 2:3-4)

“Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem (Jesus Cristo) seja levantado (cruxificado), para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dEle (Jesus Cristo). Quem nEle crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Unigênito filho de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas por intermédio de Deus.” (Bíblia Sagrada, Jo. 3:14-21)

“Examinai tudo. Retende o bem”. (Bíblia Sagrada – ARC, I Tes. 5.21) – “Mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (Mesmo texto bíblico, na Versão NVI)

Sonia Valerio da Costa
10/07/2010